Operação Poço Sem Fundo: ex-prefeita e mais quatro presos por fraudes são soltos nesta segunda

Promotor afirmou que presos colaboraram com as investigações e vão responder em liberdade. O vereador Fabiano Lira Feitosa deve ficar preso durante as investigações.

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Ex-prefeita e mais cinco foram presos em Operação Poço sem Fundo e estão sendo soltos nesta segunda (18) — Foto: Divulgação/Gaeco

As cinco pessoas presas temporariamente na primeira fase da Operação Poço Sem Fundo, suspeitas do desvio de R$ 3 milhões em recursos públicos, foram soltas nesta segunda-feira (18). De acordo com o promotor de justiça de Canto do Buriti, José William Luz, elas foram ouvidas e colaboraram com as investigações. Já o vereador Fabiano Feitosa Lira, único da organização criminosa que estava foragido, se entregou na sexta-feira (15) e foi encaminhado para a Casa de Custódia.

Na semana passada, a ex-prefeita de Brejo do Piauí, Márcia Aparecida Pereira da Cruz; o chefe de gabinete da ex-prefeita, Emídio Pereira da Cruz; o pregoeiro municipal, Carlos Alberto Figueiredo; e os donos da empresa VSP Construtora, Adcarliton Valente Barreto e Valdirene da Silva Pinheiro foram presos suspeitos de desviar recursos da manutenção de poços e chafarizes em pelo menos seis municípios.

Fabiano Feitosa Lira estava foragido desde que a operação foi deflagrada na quarta-feira (13). Ele se apresentou ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) nessa sexta-feira (15) após negociação.

“O advogado do vereador negociou a apresentação dele na sede da Gaeco, em Teresina. Ele foi encaminhado para a Casa de Custódia e deve permanecer preso durante toda a investigação. É isso que o Ministério Público quer”, declarou o promotor de justiça de Canto do Buriti.

Operação Poço Sem Fundo cumpriu seis mandados de prisão no Piauí — Foto: Divulgação/Gaeco

Operação Poço Sem Fundo cumpriu seis mandados de prisão no Piauí — Foto: Divulgação/Gaeco

José William Luz justificou o pedido de prisão preventiva de Fabiano Feitosa Lira pelo fato do vereador ser apontado como o líder da organização criminosa. Segundo as investigações, ele teria superfaturado contratos para perfuração de poços para desvios de recursos federais em 2012.

O promotor José William Luz informou que a soltura dos outros investigados é justificada pela colaboração de cada um deles. “Todos os presos foram solícitos com a justiça, forneceram todas as informações requeridas. Não existe motivo para pedir a prorrogação da prisão temporária deles. Eles serão postos em liberdade, mas continuarão respondendo à justiça pelos crimes”, informou.

Emídio Pereira da Cruz, Carlos Alberto Figueirede e Adcarliton Valente Barreto estavam presos na Penitenciária de São Raimundo Nonato. Márcia Aparecida Pereira da Cruz e Valdirene da Silva Pinheiro estavam presas na Penitenciária Feminina de Teresina.

Operação Poço Sem Fundo

Coletiva de imprensa realizada na manhã da quinta-feira (14) na sede da Gaeco explicou como operava a quadrilha presa na Operação Poço Sem Fundo — Foto: Lucas Pessoa/G1 PI

Coletiva de imprensa realizada na manhã da quinta-feira (14) na sede da Gaeco explicou como operava a quadrilha presa na Operação Poço Sem Fundo — Foto: Lucas Pessoa/G1 PI

A Operação Poço Sem Fundo foi deflagrada no dia 13 de março pelo Gaeco e cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão em Canto do Buriti, Brejo do Piauí e Teresina, com o apoio das Polícias Civil e Militar.

Estima-se que cerca de R$ 3 milhões foram desviados no esquema que fraudava licitações para contratação de serviços de manutenção de poços e chafarizes de pelo menos seis municípios do semiárido piauiense.

Segundo a Gaeco, já foi provado que houve fraude em Brejo do Piauí, com desvio de R$ 291 mil do município. Conforme as investigações, a empresa contratada pela prefeitura não prestava o serviço e nem tinha capacidade para isso.

“Entre 2013 e 2017 foram desviados R$ 3 milhões de seis municípios da região. A ex-prefeita de Brejo do Piauí desviou no ano de 2015 mais de R$ 300 mil, com o envolvimento de mais três empresas”, revelou o promotor de Justiça de Canto do Buriti.

A Gaeco informou que eram contratados laranjas, responsáveis pela manutenção dos poços. Essas pessoas, alguns moradores, recebiam valores de R$ 50 a R$ 150 para a manutenção.

“O desvio já está provado, todos eles participaram. A segunda fase da Operação deverá focar em como acontecia a lavagem de dinheiro”, destacou o promotor José William Luz.

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