‘Sabia que era cabra marcado para morrer’, diz Ciro sobre isolamento

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Isolado na corrida pela Presidência da República e após seu mais recente revés na busca por alianças, com o acordo entre PSB e PT pela neutralidade dos socialistas no primeiro turno da disputa, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) declarou nesta quarta-feira, 1, que sabia que, ao entrar na disputa, seria um “cabra marcado para morrer”.

“Quando eu entrei nessa luta eu sabia bastante bem que eu era um cabra marcado para morrer. Trabalham juntos para me isolar o PMDB do Michel Temer, o PSDB do Geraldo Alckmin e o PT do Lula. Devo ter alguma coisa bem interessante para mostrar ao povo”, afirmou o presidenciável, em sabatina no canal a cabo Globonews. Além dos pessebistas, Ciro também viu naufragarem seus acenos a partidos do chamado Centrão, aliados de Temer, que decidiram pelo apoio ao tucano Alckmin.

Apesar das negociações frustradas com DEM, PP, PRB, PR e Solidariedade, legendas que levaram Geraldo Alckmin a 40% do tempo de propaganda na TV, foi o acerto entre PSB e PT que tirou de Ciro Gomes seu aliado preferencial, com o qual ele diz ter “afinidades históricas” e “relações absolutamente fraternas”. O presidenciável afirmou na entrevista, no entanto, que ainda “deseja” se aliar ao PSB e que não foi informado oficialmente sobre o acordo.

“Não recebi nenhuma carta, nenhum sinal de fumaça, nenhuma mensagem, então e estou aguardando que se confirme isso. Se se confirmar é um revés, mas não me abate nem me surpreende”, declarou Ciro, que diz ter um “backup” para a vaga de vice-presidente, mas não revelou quem pode ser seu companheiro de chapa.

Ao longo do período em que o pedetista acenou à esquerda e ao Centrão, foram cogitados como vices os empresários Benjamin Steinbruch (PP) e Josué Gomes da Silva (PR), nomes hoje distantes, e a deputada estadual Manuela D’Ávila, confirmada nesta quarta-feira como candidata do PCdoB à Presidência.

‘Frustração pessoal’ com PT e Lula

Durante a sabatina, Ciro Gomes lamentou, sobretudo, o tratamento dado a ele pelo PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de não apoiarem a candidatura do ex-ministro em um quadro de fragmentação da esquerda, os petistas trabalharam para inviabilizar a adesão de potenciais aliados, como o PSB, a Ciro. A aliados que sugeriam aceno ao ex-ministro, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), chegou a declarar que ele “não passa nem com reza brava” no partido.

“Não sei o que eu fiz para merecer esse tipo de conduta de desapreço e de hostilidade. Eu até pago um certo preço, eu apoiei o Lula sem faltar nenhum dia nos últimos 16 anos”, destacou o candidato do PDT. “O nível de radicalismo e de miudice com que eles passaram a me tratar de um tempo pra cá a mim me surpreendeu, porque não sei o que eu fiz para merecer isso. Agora, não estou aqui me queixando, já já eu venço eles”, provocou.

“Pessoalmente frustrado” com o tratamento recebido dos petistas, Ciro classifica a sentença que condenou Lula em duas instâncias da Justiça Federal como “injusta”, mas reconhece que o ex-presidente não deve ter condições legais de disputar a eleição. Sobre a estratégia do PT de manter Lula e registrar sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele entende que o partido “está ensaiando uma valsa na beira do abismo”.

“Se o Lula não é candidato como o senso comum acha, é arriscado ou não é arriscado trazer o país para dançar à beira do abismo? E aí a disputa é comigo. Eles não estão pensando no país, essa burocracia do PT. Eles não querem que eu seja quem vai liderar mudança no pensamento progressista brasileiro”, completou.

Candidato vê ‘anarquia institucional’

Questionado pelos jornalistas a respeito da entrevista a uma TV local do Maranhão, na semana passada, na qual declarou que só sua eleição pode tirar Lula da cadeia e que fará juízes e o Ministério Público voltarem às respectivas “caixinhas”, Ciro Gomes respondeu que o país vive uma “anarquia institucional”.

Como exemplo, o presidenciável citou a “guerra de decisões” em torno da libertação do ex-presidente, no início de julho, que opôs o desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) Rogério Favreto ao juiz federal Sergio Moro e os também desembargadores do TRF4 João Pedro Gebran Neto e Carlos Eduardo Thompson Flores. Para Ciro, as decisões, “uma mais estapafúrdia que a outra”, refletem um “estado de baderna”.

Ele explicou então que, ao falar na “caixinha” de magistrados, promotores e procuradores, quis dizer devolver as instituições a suas funções previstas na Constituição.

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