Todos a postos: o primeiro escalão do governo Bolsonaro

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© Lézio Júnior https://abrilveja.files.wordpress.com/2018/11/posto-bolsonaro.jpg" ; target="_blank">Ampliar ilustração

O futuro ministério de Jair Bolsonaro (PSL) tem generais, economistas, políticos, um ex-juiz, e até um astronauta. Em comum, todos compartilham de opiniões similares às do futuro chefe.

A composição do gabinete já frustrou uma expectativa que o próprio Bolsonaro criou durante a sua campanha. Se ele prometia ter não mais que quinze ministérios, o futuro presidente já anunciou 19 nomes entre futuros ministros e auxiliares com o mesmo status.

Mesmo com a fusão de pastas, o númesro ainda deve aumentar, já que postos-chave da administração federal ainda precisam ser anunciados. O presidente eleito pretende anunciar todos os nomes até o dia 12 de dezembro.

Conheça abaixo a trajetória de cada ministro (quilometragem política), o dinheiro disponível de cada pasta segundo a proposta orçamentária de 2019 (poder de octanagem), os envolvimentos em investigações e suspeitas (“lojinha de inconveniências”) e frases que resumem o pensamento do primeiro escalão do próximo governo.

Paulo Guedes (Economia)

Paulo Guedes (Economia)© Fornecido por Abril Comunicações S.A. Paulo Guedes (Economia)

Quilometragem política: Economista com PhD pela Universidade de Chicago, sua experiência é no setor privado, onde atuava no mercado financeiro como sócio de um fundo de investimentos. Aproximou-se da política em 2017, quando flertou com  Luciano Huck, quando o global ainda avaliava lançar-se candidato. Depois, aproximou-se do grupo de Bolsonaro com a defesa do liberalismo e tornou-se seu guru para assuntos econômicos.

Poder de octanagem: Terá a chave do cofre de todo o governo, mas terá à sua disposição R$ 40.570.410.240, levando em conta os orçamentos  previstos para os ministérios da Fazenda, Planejamento, Indústria e Comércio, que serão fundidos na nova pasta.

“Lojinha de inconveniências”: Investigado pelo Ministério Público Federal por suspeita de fraudes em negócios com fundos de pensão estatais. Ele nega qualquer irregularidade.

“Tinha que vender tudo. Privatizar só no sapatinho, envergonhadamente, não”
Ao defender a privatização de estatais, em maio deste ano

“Mercosul não será prioridade. A gente não está preocupado em te agradar”
Ao responder a uma repórter argentina, logo após a eleição de Bolsonaro

Onyx Lorenzoni (Casa Civil)

Onyz Lorenzoni (Casa Civil)© Fornecido por Abril Comunicações S.A. Onyz Lorenzoni (Casa Civil)

Quilometragem política: Veterinário formado pela Universidade Federal de Santa Maria, está no quarto mandato de deputado federal pelo DEM-RS. Desde a campanha, é um dos auxiliares mais próximos de Bolsonaro.

“Lojinha de inconveniências”: Foi citado na delação da JBS como beneficiário de 100 mil reais em caixa dois na campanha de 2014.Quero pedir desculpas ao eleitor que confia em mim pelo erro cometido. Estou assumindo aqui como um homem tem de fazer.

Ao admitir tem recebido o recurso não contabilizado

Quero pedir desculpas ao eleitor que confia em mim pelo erro cometido. Estou assumindo aqui como um homem tem de fazer.

Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública)

Sergio Moro (Justiça)© Fornecido por Abril Comunicações S.A. Sergio Moro (Justiça)

Quilometragem política: O ex-juiz federal ganhou projeção ao liderar a operação Lava Jato e condenar à prisão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Poder de octanagem: R$ 17,7 bilhões, levando em consideração a fusão do Ministério da Justiça e do Ministério da Segurança Pública.

“Lojinha de inconveniências”: Responde no Conselho Nacional de Justiça por levantar às vésperas do primeiro turno o sigilo da delação do ex-ministro Antonio Palocci, considerado prejudicial ao PT; e pelo episódio em que atuou para impedir a libertação do ex-presidente Lula, que havia conseguido um Habeas Corpus durante plantão judiciário.

“Jamais entraria para a política. Sou um homem de Justiça e, sem qualquer demérito, não sou um homem da política”
Em entrevista ao Estado, dois anos e meio depois do começo da Operação Lava-Jato

“As regras atuais são muito restritivas pro posse de arma. “Posse” é a pessoa ter uma arma dentro de casa. Não ela sair por aí passeando com a arma.”
Em entrevista ao G1, quando questionado sobre o Estatuto do Desarmamento

Ernesto Araújo (Relações Exteriores)

Ernesto Araújo (Relações Exteriores)© Fornecido por Abril Comunicações S.A. Ernesto Araújo (Relações Exteriores)

Quilometragem política: Diplomata e formado em Letras pela Universidade de Brasília, foi embaixador e diretor do Departamento dos Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Itamaraty. Foi indicado com o apoio do intelectual ultraconservador Olavo de Carvalho.

Poder de octanagem: R$ 3,7 bilhões

Quero ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista. Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. Essencialmente é um sistema anti-humano e anti-cristão.

Tereza Cristina (Agricultura)

Tereza Cristina (Agricultura)© Fornecido por Abril Comunicações S.A. Tereza Cristina (Agricultura)

Quilometragem política: Líder da bancada ruralista, a engenheira agrônoma é deputada federal pelo DEM-MS.

Poder de octanagem: 11,1 bilhões de reais

“Lojinha de inconveniências”: Concedeu incentivos fiscais ao enrolado grupo JBS enquanto era secretária de Desenvolvimento Agrário e Produção do Mato Grosso do Sul. Ela nega qualquer irregularidade.

“Tem muitos índios que precisam aumentar suas terras para ter dignidade para viver, mas temos que achar um meio de não se judicializar. Há muita terra no Brasil. Precisamos de mais diálogo, menos ideologia e mais resultado”
Em entrevista coletiva sobre a demarcação de terras indígenas

Luiz Henrique Mandetta (Saúde)

Luiz Henrique Mandetta (Saúde)© Fornecido por Abril Comunicações S.A. Luiz Henrique Mandetta (Saúde)

Quilometragem política: Médico ortopedista e deputado federal por dois mandatos pelo DEM-MS, foi secretário de Saúde de Campo Grande.

Poder de octanagem: R$ 129,8 bilhões

“Lojinha de inconveniências”: Investigado por tráfico de influência, suposta fraude de licitação e caixa dois em um contrato para informatizar o sistema de saúde de Campo Grande no período em que foi secretário. O futuro ministro nega a acusação.

“Me pareceu muito mais um convênio entre Cuba e o PT, e não entre Cuba e o Brasil, porque não houve uma tratativa bilateral, mas sim uma ruptura unilateral”
Afirmou sobre a saída de Cuba do Programa Mais Médicos, em entrevista coletiva

Ricardo Veléz Rodriguez (Educação)

Ricardo Vélez Rodrígues (Educação)© Fornecido por Abril Comunicações S.A. Ricardo Vélez Rodrígues (Educação)

Quilometragem política: Professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, o colombiano foi indicado com apoio da bancada evangélica e de Olavo de Carvalho.

Poder de octanagem: R$ 121,9 bilhões

“Quem define gênero é a natureza, então a discussão da educação de gênero me parece um pouco abstrata”
Afirmou, na primeira coletiva de imprensa após ser anunciado ministro

Se o presidente se interessar [a ver a prova do Enem antes de ser aplicada], ninguém vai impedir. Ótimo que o presidente se interesse pela qualidade das provas
“Disse sobre Bolsonaro ver a prova do Enem com antecedência, em coletiva”

Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia)

Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia)© Fornecido por Abril Comunicações S.A. Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia)

Quilometragem política:  Engenheiro aeronáutico pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o tenente-coronel foi o primeiro brasileiro a ir ao espaço. Disputou sua primeira eleição em 2014, para deputado federal, mas foi derrotado. Este ano, foi eleito suplente do futuro senador Major Olímpio.

Poder de octanagem: R$ 15,3 bilhões

“Lojinha de inconveniências”: Foi investigado pelo Ministério Público Militar por infração ao Código Militar por supostamente ser sócio de uma empresa — o que é vedado. Ele negou qualquer irregularidade.

“A escola que vocês querem para os seus filhos é uma escola que dê alguma coisa de útil para vida deles. Que não seja cheio de porcaria voltada ou pra ideologia ou pra alguma coisa com sexo fora da idade”
Em ato político no interior de São Paulo durante a campanha

General Fernando Azevedo e Silva (Defesa)

General Fernando Azevedo e Silva (Defesa)© Fornecido por Abril Comunicações S.A. General Fernando Azevedo e Silva (Defesa)

Quilometragem política: Foi chefe do Estado-Maior do Exército e, ao passar para a reserva, tornou-se assessor do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. Chefiou a Autoridade Pública Olímpica no governo de Dilma Rousseff e foi ajudante de ordens do ex-presidente Collor. No governo Lula, foi assessor parlamentar do Exército no Congresso.

Poder de octanagem: R$ 107 bilhões

“Um país que quer ser grande e reconhecido tem que ter umas forças armadas adequadas, condizentes e fortes […] O orçamento está aquém das necessidades”
Já como indicado ao ministério, em entrevista à rádio CBN

Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura)

Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura)© Fornecido por Abril Comunicações S.A. Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura)

Quilometragem política: Engenheiro civil pelo Instituto Militar de Engenharia e formado em Ciências Militares pela Aman, foi diretor-executivo e diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) durante governo de Dilma Rousseff (PT) e coordenou o Programa de Parceira de Investimento (PPI) de Temer.

Poder de octanagem: R$ 19,6 bilhões

“Os auditores do TCU não são os ‘papas’ do universo. Tem muito absurdo nesse relatório, que faz insinuações e não apresenta evidências”
Ao reagir à avaliação de auditores sobre a minuta do edital de uma rodovia, em fevereiro de 2018

Almirante Bento Costa Lima (Minas e Energia)

–© Fornecido por Abril Comunicações S.A. –

Quilometragem política: Diretor-geral de desenvolvimento nuclear e tecnológico da Marinha. Está à frente do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) e já atuou como assessor parlamentar do gabinete do Ministro da Marinha no Congresso Nacional

Poder de octanagem: R$ 9,9 bilhões

Marcelo Álvaro Antônio (Turismo)

Marcelo Álvaro Antônio (Turismo)© Fornecido por Abril Comunicações S.A. Marcelo Álvaro Antônio (Turismo)

Quilometragem política: Presidente do PSL em Minas Gerais, já foi vereador em Belo Horizonte e o deputado federal mais votado do estado, com 230 mil votos.

Poder de octanagem: R$ 559,2 milhões

“Sou a favor que o cidadão do bem possa, sim, ter o posse de armas. É direito do cidadão de bem, por exemplo, ter uma arma dentro de casa para defender sua família”
Em entrevista ao Estado de Minas

Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional)

Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional)© Fornecido por Abril Comunicações S.A. Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional)

Quilometragem política: É o atual secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional e é servidor de carreira do Ministério do Planejamento. Formado em Engenharia da Computação (Unicamp) e Direito (UniCeub).

Poder de octanagem: R$ 12,7 bilhões, levando em conta as previsões orçamentárias para os ministérios das Cidades e da Integração Nacional, que serão fundidos na nova pasta.

Osmar Terra (Cidadania)

Osmar Terra (Cidadania)© Fornecido por Abril Comunicações S.A. Osmar Terra (Cidadania)

Quilometragem política: Médico, é filiado ao MDB desde 1986 e foi ministro do Desenvolvimento Social e Agrário no governo Temer até abril deste ano. Está no quinto mandato como deputado federal pelo RS. Também foi secretário estadual de Saúde e prefeito de Santa Rosa (RS).

Poder de octanagem: R$ 503 bilhões, levando em conta os orçamentos previstos para os ministérios da Cultura, do Esporte e do Desenvolvimento Social, que serão fundidos na nova pasta.

“Qual o futuro melhor que a Funai oferece aos índios brasileiros, a não ser mantê-los na pré-história humana?”
Em sua conta no Twitter, ao questionar o papel do órgão de proteção dos povos indígenas

“Não podemos legalizar. Mais drogas circulando livremente significa mais gente doente. A legalização não acabará com o tráfico e com a violência”
Em sua conta no Facebook, sobre a legalização das drogas

Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência)

Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral)© Fornecido por Abril Comunicações S.A. Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral)

Quilometragem política: O advogado foi o principal coordenador de campanha de Bolsonaro e presidiu o PSL até a eleição do capitão.

“Todos nós sabemos que as urnas eletrônicos, o nosso sistema eleitoral, não nos confere o nível de segurança e de certeza que nós gostaríamos de ter, o que pode comprometer a democracia brasileira”
Fazendo eco, antes das eleições, às críticas de seu líder à urna eletrônica

General Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional)

General Augusto Heleno (GSI)© Fornecido por Abril Comunicações S.A. General Augusto Heleno (GSI)

Quilometragem política: Formado pela Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), já foi comandante militar da Amazônia. Filiado ao PRP, chegou a ser cotado para a vaga de vice de Bolsonaro e é aliado de primeira hora do presidente eleito.

“Os programas vão ser feitos mesmo ali, nos dois meses entre o resultado da eleição e a posse, em janeiro”
ao ser cobrado sobre o programa de governo de seu candidato durante a eleição

General Santos Cruz (Secretaria de Governo)

General Santos Cruz (Governo)© Fornecido por Abril Comunicações S.A. General Santos Cruz (Governo)

Quilometragem política: Aspirante a oficial de Infantaria pela Aman e engenheiro civil pela PUC-Campinas. Após ser comandante da 2ª Divisão de Exército, foi para a reserva e tornou-se assessor especial da Secretaria de Assuntos Estratégicos em 2012. Em 2013, foi convocado para comandar missão de paz na República Democrática do Congo.

“A maneira como se formou a geografia do Rio, a desorganização urbana, com aquele acúmulo imenso de residências nas favelas, aquilo foi irresponsabilidade do Estado”
Ao comentara situação de violência no RJ, após o início da intervenção militar no estado, ao O Globo

Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União)

Quilometragem política: Assumiu como ministro da Controladoria-Geral da União em maio de 2017, durante o governo de Michel Temer (MDB) e continuará no mesmo cargo no novo governo. Ele tem mestrado em combate à Corrupção e Estado de Direito pela Universidade de Salamanca e em Educação Física pela Universidade Católica de Brasília.

Poder de octanagem: R$ 1 bilhão

“Empresas envolvidas em casos de corrupção e que detectam esses casos por meio de programas prévios de integridade devem ter isenção total de sanção”
Em entrevista ao Globo, sobre uma possível mudança na Lei Anticorrupção em vigor desde 2014

André Luiz de Almeida Mendonça (Advocacia-Geral da União)

Quilometragem política: É o atual assessor especial do ministro Wagner Rosário (CGU) e é funcionário de carreira da Advocacia-Geral da União, que comandará a partir de 2019. Mendonça é formado em direito pela Faculdade de Direito de Bauru.

Poder de octanagem: R$ 3,8 bilhões

“Tudo isso que aconteceu até aqui hoje só posso ver que foi Deus quem escreveu. Com certeza Deus orientará a função, dando sabedoria, paciência, entendimento e força nos momentos de tomada de decisões”
Ao explicar sua nomeação à Folha de S.Paulo

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